{"id":10489,"date":"2018-08-31T18:02:30","date_gmt":"2018-08-31T16:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mj-lagrange.org\/?p=10489"},"modified":"2018-08-31T18:13:30","modified_gmt":"2018-08-31T16:13:30","slug":"resenha-marie-joseph-lagrange-un-biblista-al-servizio-della-chiesa-por-bernard-montagnes-p-segandredo-a-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mj-lagrange.org\/?p=10489&lang=pt-pt","title":{"rendered":"Resenha Marie-Joseph Lagrange. Un biblista al servizio della Chiesa por Bernard Montagnes-P. Segandredo A.C"},"content":{"rendered":"<div class=\"fcbkbttn_buttons_block\" id=\"fcbkbttn_left\"><div class=\"fcbkbttn_button\">\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/\" target=\"_blank\">\n\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mj-lagrange.org\/wp-content\/plugins\/facebook-button-plugin\/images\/standard-facebook-ico.png\" alt=\"Fb-Button\" \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/div><div class=\"fcbkbttn_like \"><fb:like href=\"https:\/\/www.mj-lagrange.org\/?p=10489&lang=pt-pt\" action=\"like\" colorscheme=\"light\" layout=\"standard\"  width=\"225px\" size=\"small\"><\/fb:like><\/div><\/div><p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.mj-lagrange.org\/?attachment_id=10519&amp;lang=pt-pt\" rel=\"attachment wp-att-10519\">Resenha Seganfredo AC-Marie-Joseph Lagrange. <\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.mj-lagrange.org\/?attachment_id=10519&amp;lang=pt-pt\" rel=\"attachment wp-att-10519\">Un biblista al servizio della Chiesa por Bernard Montagnes<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MONTAGNES. Bernard. <em>Marie-Joseph Lagrange. Un biblista al servizio della Chiesa<\/em>. Cole\u00e7\u00e3o Domenicani \u2013 28. Tradu\u00e7\u00e3o de Colette Orard e Paola Simone. Edizioni Studio Domenicano, Bologna, 2007, 672 p\u00e1g.. ISBN 978-88-7094-627-4 (Original: <em>Marie-Joseph Lagrange. Une biographie critique. <\/em>Les \u00c9ditions du Cerf, Paris, 2004).<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.mj-lagrange.org\/?attachment_id=10507&amp;lang=pt-pt\" rel=\"attachment wp-att-10507\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10507\" src=\"https:\/\/mj-lagrange.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Un-biblista-al-servizio-della-Chiesa-MJ-Lagrange-198x300.jpg\" alt=\"\" width=\"198\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/mj-lagrange.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Un-biblista-al-servizio-della-Chiesa-MJ-Lagrange-198x300.jpg 198w, https:\/\/mj-lagrange.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Un-biblista-al-servizio-della-Chiesa-MJ-Lagrange.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><\/a>Muito me alegrei ao tomar conhecimento da tradu\u00e7\u00e3o italiana do original franc\u00eas da biografia cr\u00edtica de Marie-Joseph Lagrange, O.P., que pode ser considerado, junto com Richard Simon (1638-1722), o pai da cr\u00edtica\u00a0 b\u00edblica\u00a0na\u00a0 Igreja Cat\u00f3lica,\u00a0isto \u00e9, da exegese que lan\u00e7a m\u00e3o do uso das ci\u00eancias b\u00edblicas. A autoria do livro \u00e9 de Bernard Montagnes, doutor em teologia e historiador, o qual trabalhou assiduamente para recolher todos os documentos hist\u00f3ricos \u00fateis ao processo de beatifica\u00e7\u00e3o do padre Lagrange tornando-se, assim, um dos maiores conhecedores de sua vida. Como diz o t\u00edtulo original franc\u00eas, trata-se n\u00e3o de uma obra com objetivos edificantes, mas de uma biografia cr\u00edtica. Tratando-se do padre Lagrange, \u00e9 justificada uma resenha em uma revista de teologia, especialmente neste n\u00famero b\u00edblico, tendo em vista a sua import\u00e2ncia como pioneiro no estudo cr\u00edtico da B\u00edblia. Percorrer a sua\u00a0trajet\u00f3ria equivale a entender melhor o dif\u00edcil caminho que os estudos b\u00edblicos percorreram no interior da Igreja Cat\u00f3lica a partir do final do s\u00e9culo XIX. Nesse sentido, gostaria de assinalar tamb\u00e9m outra obra rec\u00e9m publicada, a qual, junto com esta, poder\u00e1 ser muito \u00fatil para quem queira conhecer melhor a trajet\u00f3ria recente da exegese cr\u00edtica cat\u00f3lica. Refiro-me a GILBERT, Maurice. <em>Il Pontif\u00edcio Istituto B\u00edblico. Cento anni di storia (1909-2009)<\/em>.\u00a0 Editrice Pontif\u00edcio\u00a0 Istituto\u00a0B\u00edblico, Roma,\u00a0 488 p\u00e1g..\u00a0 ISBN 488.978-88-7653-641-0.<\/p>\n<p>A obra \u00e9 dividida em 16 cap\u00edtulos que percorrem a vida do padre Lagrange. Ao final de cada cap\u00edtulo o autor apresenta os documentos principais \u2013 normalmente extratos \u2013 que corroboram quanto foi desenvolvido ao longo do cap\u00edtulo. S\u00e3o apresentados na l\u00edngua original e, assim, normalmente est\u00e3o em franc\u00eas, alguns em latim e italiano.<\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo trata das origens e da forma\u00e7\u00e3o do padre Lagrange (1855- 1890), desde seu nascimento, em 7 de mar\u00e7o de 1855, em Bourg-em-Bresse, na prov\u00edncia de Ain, na Fran\u00e7a, quando recebeu o nome de Albert. Ap\u00f3s os estudos no semin\u00e1rio de Autun, vieram os estudos e o doutoramento em jurisprud\u00eancia, em Paris. Albert Lagrange aos poucos foi descobrindo sua voca\u00e7\u00e3o dominicana e para ela preparou-se durante um ano no semin\u00e1rio de Issy. Desse ano resultaram importantes amizades, que ser\u00e3o permanentes, tais como com Pierre Batiffol, que se tornar\u00e1 um especialista nas origens do cristianismo. Tendo entrado na Ordem Dominicana, professou os votos religiosos no ano de 1880, em Saint-Maximin,\u00a0 na Fran\u00e7a, recebendo o nome de Frei Marie-Joseph. Nesse mesmo ano os religiosos foram expulsos\u00a0 da Fran\u00e7a, de modo que os estudos teol\u00f3gicos foram realizados em Salamanca, na\u00a0 Espanha. Alguns anos ap\u00f3s a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal (1883), a Prov\u00edncia dominicana francesa de Toulouse, a qual pertencia padre Lagrange, enviou-o a estudar l\u00ednguas orientais junto \u00e0 Universidade de Viena.<\/p>\n<p>O segundo cap\u00edtulo trata da funda\u00e7\u00e3o da obra da vida de padre Lagrange, isto \u00e9, a <em>\u00c9cole Biblique<\/em>, em Jerusal\u00e9m, acontecida em 1890. No local, junto ao poss\u00edvel lugar do mart\u00edrio de Santo Estev\u00e3o, j\u00e1 tinha chegado precedentemente o dominicano Matthieu Lecomte. \u00c9 ali, em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, que surgir\u00e1 um dos centros por excel\u00eancia das ci\u00eancias b\u00edblicas e arqueol\u00f3gicas. A intui\u00e7\u00e3o de padre Lagrange era a de juntar o\u00a0\u201cdocumento ao monumento\u201d, isto \u00e9, os estudos b\u00edblicos e arqueol\u00f3gicos, ao servi\u00e7o da Palavra de Deus. Mas, a convic\u00e7\u00e3o que se cimentar\u00e1 ir\u00e1 al\u00e9m. Para o padre Lagrange a ci\u00eancia b\u00edblica precisava desembocar na teologia b\u00edblica, e a isto ele nunca renunciar\u00e1.<\/p>\n<p>O terceiro cap\u00edtulo trata da primeira d\u00e9cada da <em>\u00c9cole Biblique<\/em>. Al\u00e9m dos estudos acad\u00eamicos normais, a escola promove confer\u00eancias p\u00fablicas e s\u00e3o fundadas a <em>Revue<\/em> <em>Biblique <\/em>(1892) e a projetada a cole\u00e7\u00e3o <em>\u00c9tudes Bibliques<\/em>, as quais, passados mais de cem anos, continuam entre os mais prestigiosos instrumentos da ci\u00eancia b\u00edblica.<\/p>\n<p>O quarto cap\u00edtulo apresenta as primeiras experi\u00eancias da censura romana que pare Lagrange sofrer\u00e1, j\u00e1 a partir dos escritos de 1891-1893, e que continuar\u00e1 literalmente at\u00e9 o final de sua vida. De fato, todas as poss\u00edveis publica\u00e7\u00f5es deviam ser enviadas a Roma, \u00e0 Casa Geral dos Dominicanos, \u00e0 qual o Convento de <em>Saint-\u00c9tienne <\/em>e a <em>\u00c9cole Biblique <\/em>respondiam diretamente, para serem analisadas por censores nomeados pelo Mestre da Ordem (superior geral dos domenicanos).<\/p>\n<p>O quinto cap\u00edtulo apresenta especialmente a presen\u00e7a de padre Lagrange no Congresso de Friburgo, em 1897, onde apresentar\u00e1 a suas convic\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao estudo cr\u00edtico da B\u00edblia. A compet\u00eancia do padre Lagrange e o nome da <em>\u00c9cole Biblique <\/em>consolidavam-se. Prova disso \u00e9 a confian\u00e7a que o Papa Le\u00e3o XIII manifestar\u00e1, convidando padre Lagrange para consultor da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica, constitu\u00edda em 1902. O Papa planejava tornar a <em>Revue Biblique <\/em>o \u00f3rg\u00e3o oficial da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica e tinha planos para a funda\u00e7\u00e3o do Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico, contando com a presen\u00e7a do padre Lagrange. Sua morte, ocorrida em 20 de julho de 1903, mudou o rumo da quest\u00e3o. Padre Lagrange recordar\u00e1 sempre esse per\u00edodo para os estudos b\u00edblicos, que foram especialmente encorajados sob o pontificado de Le\u00e3o XIII, contando com o secret\u00e1rio de estado, cardeal Rampolla, como um dos seus melhores de sua vida. De fato, nesse pontificado foi publicado o primeiro documento importante do magist\u00e9rio romano dos tempos modernos sobre a interpreta\u00e7\u00e3o da Sagrada Escritura,\u00a0 isto \u00e9, a enc\u00edclica <em>Providentissimus Deus<\/em>, em 1893.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo sexto trata das confer\u00eancias proferidas por padre Lagrange no <em>Institut catholique de Toulouse<\/em>, em 1902, pelo convite do reitor Pierre Batiffol, que resultaram na publica\u00e7\u00e3o de <em>La M\u00e9thode historique, surtout \u00e0 propos de l\u2019Ancien Testament<\/em>, em 1903. Este escrito, onde padre Lagrange apresentava os princ\u00edpios do m\u00e9todo hist\u00f3rico cr\u00edtico aplicado ao estudo da Sagrada Escritura, provocou rea\u00e7\u00f5es fort\u00edssimas contra ele. \u00c9 especialmente a partir desse momento que padre Lagrange dever\u00e1 sofrer para desbravar os estudos cient\u00edficos da B\u00edblia na Igreja Cat\u00f3lica. Sobre as rea\u00e7\u00f5es, a mais forte ser\u00e1 a do jesu\u00edta belga Alphonse Delattre, que nesta e em outras ocasi\u00f5es escrever\u00e1 publicamente contra o m\u00e9todo do padre Lagrange. O nosso padre quisera ter respondido para esclarecer a quest\u00e3o, mas em todas as vezes foi impedido pelo Mestre da Ordem, bem porque este sabia que o novo pont\u00edfice, Pio X, concordava com a manifesta\u00e7\u00e3o de Delattre. Padre Lagrange admirava-se, todavia, com a for\u00e7a das rea\u00e7\u00f5es. De fato, em <em>La M\u00e9thode historique <\/em>n\u00e3o tinha expressado princ\u00edpios diferentes daqueles que vinha expondo h\u00e1 mais de dez anos na <em>Revue Biblique<\/em>. Al\u00e9m disso, em certo sentido, padre Lagrange encontrava-se entre \u201ca cruz e a espada\u201d: de uma parte os conservadores reprovavam o seu m\u00e9todo, de outra era reprovado por radicais como Alfred Loysi, dos quais ele tinha tomado dist\u00e2ncia e criticado. De fato, distante do racionalismo, padre Lagrange inquietava-se diante da urg\u00eancia das quest\u00f5es b\u00edblicas que precisavam de uma resposta cient\u00edfica, sem renunciar nem em um mil\u00edmetro ao seu car\u00e1ter inspirado. Ele sonhava com cat\u00f3licos extremamente competentes em mat\u00e9ria de ci\u00eancia b\u00edblica, justamente para ir al\u00e9m da simples apolog\u00e9tica. Ele queria poder \u201clutar com as mesmas armas do inimigo\u201d, isto \u00e9, a compet\u00eancia cient\u00edfica, e isto como um servi\u00e7o \u00e0 Igreja e para o bem dos seus fi\u00e9is.<\/p>\n<p>A partir das confer\u00eancias em Toulouse, os escritos de padre Lagrange conhecer\u00e3o forte censura. O cap\u00edtulo s\u00e9timo trata dos escritos que foram proibidos de serem publicados entre os anos de 1904 e 1907, especialmente o coment\u00e1rio ao livrodo G\u00eanesis, com o qual padre Lagrange quisera inaugurar a cole\u00e7\u00e3o \u00c9tudes Bibliques \u00a0(1). De fato, ele nunca conseguir\u00e1 publicar este coment\u00e1rio. A morte o colher\u00e1, em 1938, com mais de 80 anos de idade, enquanto recome\u00e7ara a trabalhar neste coment\u00e1rio, em vista da publica\u00e7\u00e3o. E assim, ao escrever, padre Lagrange j\u00e1 sabia que talvez seu escrito n\u00e3o poderia ser dado ao p\u00fablico, de modo que a sua sensa\u00e7\u00e3o era da de talvez estar escrevendo algo que iria juntar-se ao seu \u201ccemit\u00e9rio de escritos\u201d. Mas ele n\u00e3o\u00a0 se\u00a0deixava abater, mesmo se os tempos vindouros ter-se-iam demonstrado terr\u00edveis.<\/p>\n<p>O capitulo oitavo apresenta os anos talvez mais dif\u00edceis vividos pelo padre Lagrange, entre 1907 e 1912. Em 1907, de fato, Pio X publicar\u00e1 o decreto <em>Lamentabili <\/em>e a enc\u00edclica <em>Pascendi<\/em>, documentos magisteriais que condenaram formalmente o modernismo. A <em>Revue Biblique <\/em>deu sua ades\u00e3o a estes pronunciamentos. Todavia, ap\u00f3s o pr\u00f3prio Pont\u00edfice ter vetado a publica\u00e7\u00e3o do seu coment\u00e1rio ao G\u00eanesis, padre Lagrange, ap\u00f3s tantos anos de estudo do Antigo Testamento, ao inv\u00e9s de capitular, corajosamente seguiu em frente, mas passando ao estudo do Novo Testamento. \u00c9 assim que desde 1908 ele passa a comentar o evangelho de Marcos, que ser\u00e1 publicado em 1911. Todavia, as suspeitas das autoridades da Igreja sobre ele continuam. Em 1912 os seus principais livros foram desaconselhados publicamente pela Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o Concistorial (atual Congrega\u00e7\u00e3o dos Bispos). Esta ser\u00e1 a maior condena\u00e7\u00e3o recebida na vida pelo padre Lagrange, que ent\u00e3o imediatamente escrever\u00e1 ao pr\u00f3prio Papa, declarando sua absoluta obedi\u00eancia. De fato, o desejo sincero dele era o de servir a\u00a0 causa da Igreja. Se esta, na pessoa do Pont\u00edfice, lhe indicasse um caminho diverso, ele o teria percorrido sem pestanejar. A atitude de padre Lagrange evitar\u00e1 posteriores medidas eclesi\u00e1sticas contra a sua pessoa e que seus livros tivessem sido colocados no \u00cdndice. Por\u00e9m, n\u00e3o obstante sua plena disponibilidade, n\u00e3o lhe foi pedido nem de abandonar os estudos b\u00edblicos, nem o fechamento da <em>\u00c9cole Biblique <\/em>ou o encerramento da <em>Revue Biblique<\/em>. Numa atitude de prud\u00eancia, tamb\u00e9m pensando no bem da <em>\u00c9cole<\/em>, com o consenso do Mestre da Ordem, padre Lagrange retirar-se-\u00e1 para Paris, onde permanecer\u00e1 pelo per\u00edodo entre setembro de 1912 e julho de 1913. Esta etapa \u00e9 narrada no cap\u00edtulo nono. Durante o per\u00edodo parisiense, padre Lagrange decide n\u00e3o continuar a comentar os evangelhos at\u00e9 que as suspeitas sobre a ortodoxia do seu coment\u00e1rio a Marcos perdurassem. De fato, o coment\u00e1rio a Lucas ser\u00e1 publicado somente em 1921. Nesse per\u00edodo, al\u00e9m de estudos arqueol\u00f3gicos (no Louvre) e hist\u00f3ricos, decide passar a comentar as cartas de Paulo. Nesse sentido podemos perceber a fibra e a determina\u00e7\u00e3o, aliadas \u00e0 obedi\u00eancia, de padre Lagrange. Se lhe reprovam os estudos do AT, passa aos evangelhos; se h\u00e1 suspeitas sobre esses, passa a Paulo. Comenta o autor do livro que, caso houvesse a necessidade, talvez tivesse posteriormente passado ao Apocalipse. N\u00e3o \u00e9 uma atitude de teimosia. Ele estava convencido de assim servir a causa da Igreja em um campo onde havia urg\u00eancia em faz\u00ea-lo. Mas, todo o clima de suspeitas em torno da \u201cobsess\u00e3o contra o modernismo\u201d desanuviar-se-\u00e1 diante da imin\u00eancia da I Guerra Mundial, a partir de1914.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo d\u00e9cimo realiza uma par\u00eanteses para comentar a dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o da <em>\u00c9cole Biblique <\/em>entre os anos 1890 e 1914 com algumas congrega\u00e7\u00f5es religiosas. Assim, com os franciscanos o problema ser\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos lugares santos, visto que a arqueologia \u00e9 uma ci\u00eancia que pode tanto derrubar poss\u00edveis lendas como confirmar o dado tradicional. Com os assuncionistas, que em princ\u00edpio enviavam seus estudantes\u00a0para a <em>\u00c9cole Biblique<\/em>, haver\u00e1 um claro distanciamento diante da clara decis\u00e3o da Dire\u00e7\u00e3o Geral destes em favor de uma atitude conservadora no tocante aos estudos b\u00edblicos, contr\u00e1ria \u00e0 cr\u00edtica b\u00edblica. Mas, os maiores dissabores para padre Lagrange vir\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com alguns jesu\u00edtas, particularmente o Pe. Leopoldo Fonck, primeiro reitor do Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma, fundado em 1909 (estamos, portanto, no ano centen\u00e1rio desta benem\u00e9rita institui\u00e7\u00e3o!). Este, para cuja funda\u00e7\u00e3o Le\u00e3o XIII\u00a0quisera contar com o padre Lagrange, diante dos eventos sucessivos foi confiado\u00a0 por Pio X aos jesu\u00edtas, especialmente na pessoa do Pe. Fonck, homem irasc\u00edvel que, em\u00a0 uma atitude pouco crist\u00e3, assumiu uma postura desejosa de destruir padre Lagrange e\u00a0 sua obra a todo o custo. Assim, o nosso padre muito ter\u00e1 que sofrer, sobretudo quanto Pe. Fonck insistir\u00e1 em abrir uma sucursal do Instituto na Palestina. Mas, a I Guerra trar\u00e1 suas consequ\u00eancias, de modo que tal sucursal ser\u00e1 aberta somente nos anos de 1927, em um clima diferente. \u00c9 importante, todavia, sublinhar que nem todos os jesu\u00edtas alinhavam-se em posturas conservadoras. Assim, se houveram os Delattre e os Fonck, padre Lagrange encontrou grande amigos jesu\u00edtas como, por exemplo, os padres Albert Condamim, coladorador da <em>Revue Biblique <\/em>e de <em>\u00c9tudes Bibliques <\/em>e igualmente v\u00edtima da censura romana, e L\u00e9once de Grandmaison.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo d\u00e9cimo primeiro traz o sugestivo t\u00edtulo: \u201cDurante a guerra a <em>\u00c9cole Biblique <\/em>reduzida somente ao padre Lagrange (1914-1918)\u201d. Nesse per\u00edodo, novamente na Fran\u00e7a, visto que a Turquia, sob a qual Jerusal\u00e9m encontrava-se, expulsou de l\u00e1 todos os franceses, padre Lagrange dedica-se a escrever artigos patri\u00f3ticos, exerce, segundo os numerosos convites, seu minist\u00e9rio de pregador (\u00e9 um dominicano, afinal!)\u00a0 e dedica-se, n\u00e3o obstante a falta da biblioteca da <em>\u00c9cole<\/em>, a comentar a carta aos Romanos (1916) e a carta aos G\u00e1latas (1918). Nesses anos tamb\u00e9m ter\u00e1 que sofrer pela sua sa\u00fade. Ao final do cap\u00edtulo, \u00e9 significativo o Documento n\u00b0 48, reportado nas paginas 414-416, que relata o encontro, em Roma, antes do retorno a Jerusal\u00e9m, entre o padre Lagrange e o cardeal Van Rossun, presidente da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica, em 4 de outubro de 1918. Para alinhar-se \u00e0 postura da Santa S\u00e9 padre Lagrange e a <em>\u00c9cole Biblique <\/em>deveriam assumir a linha conservadora em estudos b\u00edblicos. O nosso padre estava disposto sim \u00e0 obedi\u00eancia e, se fora o caso, teria abandonado os estudos b\u00edblicos, mas, n\u00e3o podiam ir contra a sua consci\u00eancia. Mesmo suspeito, embora n\u00e3o impedido de continuar, ele continua trabalhando, na esperan\u00e7a de dias melhores. A hist\u00f3ria dar-lhe-\u00e1 raz\u00e3o, mesmo se ap\u00f3s a sua morte (2).<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo d\u00e9cimo segundo apresenta a <em>\u00c9cole Biblique\u00a0<\/em>nos anos entre 1919 e 1925. Esta, apesar da I Guerra, durante o conflito b\u00e9lico ser\u00e1 admiravelmente preservada pelos frades conversos que, pela nacionalidade su\u00ed\u00e7a, puderam permanecer nela. As suspeitas sobre padre Lagrange e a <em>\u00c9cole<\/em>, por\u00e9m, continuaram. A novidade, por\u00e9m, est\u00e1 na postura diferente do novo Mestre da Ordem. Os dois Mestres anteriores, Fr\u00fchwirth e Cormier, embora em um clima fraterno e de confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao padre Lagrange, n\u00e3o assumiram uma atitude positiva de defesa deste diante das autoridades romanas. Diversamente, Ludwig Theissling apoiar\u00e1 decididamente a <em>\u00c9cole <\/em>e o padre Lagrange, e assim seus sucessores Paredes e, especialmente, Gillet.<\/p>\n<p>Todavia, passaram os anos tamb\u00e9m para o padre Lagrange. O cap\u00edtulo d\u00e9cimo terceiro (1925-1935) apresenta os anos nos quais ele passa a dire\u00e7\u00e3o da <em>\u00c9cole\u00a0<\/em>para os seus disc\u00edpulos. De fato, em 1925 o nosso padre \u00e9 um septuagen\u00e1rio. Assim, a dire\u00e7\u00e3o da <em>\u00c9cole Biblique <\/em>e da <em>Revue Biblique <\/em>passaram para o assiri\u00f3logo dominicano Paul Dhorme. N\u00e3o por issoa obra intelectual do padre Lagrange terminou. Ele, que em 1921\u00a0publicara o coment\u00e1rio a Lucas, em 1923 publicou o coment\u00e1rio a Mateus e, em 1925, ao evangelhode Jo\u00e3o. Padre Lagrange pensava ter recitado o seu <em>Nunc dimittis <\/em>com o coment\u00e1rio a Jo\u00e3o (cf. p. 459), mas, em 1926 publicar\u00e1 ainda uma Sinopse grega, seguida por algumas obras dentro de um projeto de <em>Introduction \u00e0 l\u2019\u00e9tude du Nouveau Testament<\/em>. Deste projeto ser\u00e3o publicados em 1933 uma Hist\u00f3ria do C\u00e2non do NT, em 1935 uma Cr\u00edtica textual em colabora\u00e7\u00e3o com o Pe. Lyonnet e, em 1937, um estudo sobre as religi\u00f5es mist\u00e9ricas. Al\u00e9m desses, em 1928 padre Lagrange publicou um livro em homenagem a Jesus Cristo, uma esp\u00e9cie de \u201cvida de Jesus\u201d, a qual por\u00e9m ele planejava n\u00e3o como uma obra puramente cient\u00edfica, mas para a edifica\u00e7\u00e3o do povo crist\u00e3o. A publica\u00e7\u00e3o de <em>L\u2019\u00c9vangile de J\u00e9sus-Christ <\/em>conheceu um sucesso que nenhuma oura obra do padre Lagrange tinha conhecido. N\u00e3o obstante, dores profundas o aguardavam, especialmente quando, no ano acad\u00eamico 1930-1931, Paul Dhorme\u00a0deixar\u00e1 a \u00c9cole, a Ordem e a Igreja (falecer\u00e1 em 1966, reconciliado com a Igreja). Apesar da ferida dolorosa, foi uma ocasi\u00e3o para retornar as fontes da <em>\u00c9cole Biblique<\/em>, que talvez, com Dhorme, estivera em uma linha de um orientalismo n\u00e3o suficientemente temperado com a teologia e a espiritualidade. \u00c9 assim que encontramos padre Lagrange, com 76 anos, novamente diretor da <em>\u00c9cole Biblique<\/em>.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo d\u00e9cimo quarto, intitulado \u201cOs frutos do outono (1935-1938)\u201d, tratam dos \u00faltimos anos da vida do padre Lagrange. Em 1935 ele celebrou seus 80 anos (em 1933 celebrara o jubileu sacerdotal). Homenagens de diferentes partes do mundo chegaram ao valoroso anci\u00e3o. O exegeta de Li\u00e3o, Joseph Chaine, ex-aluno da <em>\u00c9cole<\/em> <em>Biblique<\/em>, promoveu a publica\u00e7\u00e3o de um volume coletivo intitulado <em>L\u2019\u0152uvre ex\u00e9g\u00e9tique et historique du P. Lagrange<\/em>. Padre Gillet, Mestre da Ordem, uniu-se ao coro dos homenageantes declarando a <em>\u00c9cole Biblique <\/em>\u201ca j\u00f3ia da Ordem Dominicana\u201d. Mas, o ocaso aproximava-se e, em vista da sa\u00fade, em 6 de outubro de 1935 padre Lagrange, depois de mais de 45 anos, deixou definitivamente Jerusal\u00e9m e retirou-se para o convento franc\u00eas que o recebera como novi\u00e7o, isto \u00e9, Saint-Maximin. Neste convento o biblista anci\u00e3o, apesar da sa\u00fade prec\u00e1ria, n\u00e3o deixar\u00e1 de estudar e de edificar os novi\u00e7os e estudantes dominicanos, com o seu exemplo de aut\u00eantico filho de S\u00e3o Domingos. Ter\u00e1 a oportunidade tamb\u00e9m de aceitar diversos convites para confer\u00eancias e retiros. \u00c9 admir\u00e1vel v\u00ea-lo continuar escrevendo artigos e recens\u00f5es. Como \u201ccanto do cisne\u201d, na esperan\u00e7a de estar vivendo tempos diferentes, recolocou-se ao trabalho em vista da publica\u00e7\u00e3o do coment\u00e1rio ao livro do G\u00eanesis, impedido em 1907. Como fruto desse esfor\u00e7o e como antecipa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 publicado na <em>Revue Biblique <\/em>o artigo <em>L\u2019authenticit\u00e9 mosa\u00efque de la Gen\u00e8s<\/em>e, em abril de 1938, quando o autor j\u00e1 tinha alcan\u00e7ado a \u201cJerusal\u00e9m celeste\u201d h\u00e1 quase um m\u00eas. Os problemas de padre Lagrange com a censura, dentro da Ordem e na Igreja, por incr\u00edvel que possa parecer, perduraram at\u00e9 o final de sua vida. De fato, foi impedido de publicar na <em>Revue Biblique <\/em>de janeiro de 1938 uma recens\u00e3o de 10 p\u00e1ginas \u00e0 obra <em>L\u2019\u00c9volution religieuse d\u2019Isra\u00ebl<\/em>, de Edouard Dhorme, o antigo diretor da <em>\u00c9cole Biblique<\/em>. Na manh\u00e3 de 10 de mar\u00e7o de 1938, ap\u00f3s uma noite onde quem acompanhava o anci\u00e3o em sua doen\u00e7a final o escutou pronunciar \u201cJerusal\u00e9m&#8230; Jerusal\u00e9m&#8230;\u201d, padre Lagrange \u201c<em>apagou-se lenta e docemente, circundado pelos seus coirm\u00e3os, ao canto da Salve Regina, segundo o h\u00e1bito dominicano<\/em>\u201d (cf. p. 536).<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo d\u00e9cimo quinto, ap\u00f3s narrar o sepultamente, em um lugar de destaque do cemit\u00e9rio do convento de Saint-Maximin, narra a volta dos restos mortais do padre Lagrange para Jerusal\u00e9m, em 1967, onde repousam no centro do coro da Bas\u00edlica de <em>Saint-\u00c9tienne<\/em>, adjacente \u00e0 <em>\u00c9cole Biblique<\/em>. Nesse mesmo cap\u00edtulo \u00e9 apresentado seu testamento, onde ele afirma ter sempre trabalhado em reta inten\u00e7\u00e3o e assim querer morrer, como filho da Igreja e de S\u00e3o Domingos. Por fim, o cap\u00edtulo final apresenta, em\u00a0s\u00edntese, o perfil humano e espiritual de padre Lagrange, procurando destacar suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, a heran\u00e7a humana e espiritual recebida da fam\u00edlia, suas caracter\u00edsticas como estudioso, crente e dominicano. O cap\u00edtulo encerra-se com a apresenta\u00e7\u00e3o da espiritualidade do nosso padre, revelada especialmente pelo segundo caderno do seu di\u00e1rio espiritual (1896-1932), encontrado por acaso, em Jerusal\u00e9m, em 1995, o qual veio unir-se ao primeiro caderno, j\u00e1 conhecido, dos anos 1889-1995. O \u00faltimo documento apresentado no livro (n\u00b0 70, cf. p\u00e1gs. 614-616) apresenta, em franc\u00eas, o elogio de padre Lagrange, por parte do Cap\u00edtulo Geral da Ordem dos Pregadores, reunido em Roma. Seguem, entre as p\u00e1ginas 617 e 643, as fontes e a bibliografia consultadas para a realiza\u00e7\u00e3o da presente biografia cr\u00edtica. Seu primeiro bi\u00f3grafo, em sinal da estima que os havia unido, foi o arque\u00f3logo dominicano Louis-Hugues Vincent, que dedicou-se a cultivar \u00e0 mem\u00f3ria de seu mestre.<\/p>\n<p>A obra do dominicano padre Lagrange em prol do estudo cient\u00edfico da Sagrada Escritura, vivida como filho da Igreja e como um servi\u00e7o \u00e0 miss\u00e3o desta, por si s\u00f3 \u00e9 admir\u00e1vel, seja pela perseveran\u00e7a na adversidade seja pelos frutos que produziu e continua a produzir. Mas, percorrendo as centenas de cartas enviadas aos seus superiores e amigos, onde, especialmente nestas \u00faltimas, onde pelo car\u00e1ter confidencial poderiam transparecer palavras de revolta ou de amargura, encontramos, ao inv\u00e9s, o n\u00facleo que guiava padre Lagrange em sua obra, e \u00e9 sobretudo aqui que ele se torna verdadeiro modelo a ser apresentado aos exegetas e \u00e0 p\u00fablica venera\u00e7\u00e3o&#8230; e \u00e9 por isso que o seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o foi iniciado em 1987, pela diocese francesa de Fr\u00e9jus-Toulon. Nesse sentido, recordo uma conversa que tive com um dos meus professores, o biblista Joseph Agius, O.P., sobre o milagre requerido para a beatifica\u00e7\u00e3o do padre Lagrange. Ele respondeu-me: \u201c<em>Seu milagre \u00e9 a \u00c9cole Biblique!<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ant\u00f4nio C\u00e9sar Seganfredo, cs<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1 A cole\u00e7\u00e3o\u00a0<em>\u00c9tudes Bibliques<\/em>, em vista dessas dificuldades, na verdade foi inaugurada em 1903 com a\u00a0obra\u00a0<em>\u00c9tudes sur les religions s\u00e9mitiques<\/em><em>\u00a0<\/em>e o coment\u00e1rio\u00a0<em>Le Livre des Juges<\/em>.<\/p>\n<p>2 A abertura, por parte do magist\u00e9rio da Igreja ao estudo cient\u00edfico da B\u00edblia, dar-se-\u00e1 apenas em 1943, com a publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica de Pio XII\u00a0<em>Divino Afflante Spiritu<\/em>. Padre Lagrange faleceu em 1938.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha Seganfredo AC-Marie-Joseph Lagrange. Un biblista al servizio della Chiesa por Bernard Montagnes &nbsp; MONTAGNES. Bernard. Marie-Joseph Lagrange. Un biblista al servizio della Chiesa. 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